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Lua sem Sol

"Hoje eles vivem assim....separados, o SOL finge que é feliz, a LUA não consegue esconder que é triste."

Lua sem Sol

"Hoje eles vivem assim....separados, o SOL finge que é feliz, a LUA não consegue esconder que é triste."

Livro de Miguel Sousa Tavares - "No teu deserto"

                                                                                   

 

 

Já li este "quase romance" do Miguel Sousa Tavares e como não podia deixar de ser é fantástico. Um livro que nos prende do inicio ao fim, nada de "palha" como costumo a dizer. Um livro em que conseguimos "entrar" em toda a narrativa desta história que é verdadeira. Lê-se fácilmente e não é um livro de quase 300 páginas a que o Miguel nos habituou mas apenas 125, todas elas cheias de emoção, sentimento e relatos de realidade.

Parabéns Miguel por mais um óptimo livro a que já nos habituaste.

Vou deixar aqui alguns trechos que me marcaram mais.

 

"Contei-te então que tinha reparado que o nosso guia, o Ali, conhecia um dos tuaregues da caravana e que se haviam sentado os dois no chão, de mãos dadas e numa estranha lengalenga: um fazia uma série de perguntas breves a que o outro dava respostas igualmente breves; e, depois, invertiam os papéis - o que tinha estado a responder passava a perguntar e o outro passava a responder. E, quando o estranho diálogo acabou, ficaram os dois em silêncio, sempre de mãos dadas e a olhar em frente.

- O que é que eles perguntaram um ao outro ??

- Como tens passado? Como está a tua mulher? E os teus pais? E os teus filhos? E os teus irmãos?? E o teu rebanho ? E as tuas pastagens? E por aí fora ...........

- E porque é que ficam calados depois?

- Porque já não têm mais nada de importante para dizer.

Fiquei a pensar na tua resposta: "Ficam calados porque já não têm mais nada de importante para dizer ." E fiquei a pensar no que me tinhas dito antes, sobre os sahraoui: "Como não têm nada, absolutamente nada, poupam tudo. Poupam a água, a comida, poupam as energias viajando de noite para evitar o calor. Até poupam nas palavras."

- Mas tu não poupas as palavras: tu escreves. Todas as noites gastas uma hora a escrever um diário nesse teu caderno ......

- Escrever não é falar.

- Não? Qual a diferença?

- É exactamente o oposto. Escrever é usar as palavras que se guardaram: se tu falares de mais, já não escreves, porque não te resta nada para dizer.

Anos mais tarde, já estava doente, voltei a lembrar-me dessa nossa conversa. Tinha acabado de te escrever uma carta - mais uma, talvez a terceira - que nunca te cheguei a mandar e que destruí depois. E, escrevendo, poupei as coisas que gostaria de te ter dito e que gostaria que tivesses ouvido. Cheguei quase a convencer-me de que bastava escrever-te para tu me ouvires, mesmo que nunca tenha chegado a pôr a carta no correio. Porque era tão sentido e tão magoado, tão distante, o que te dizia nessas cartas, que quase acreditei que tu não podias deixar de me ouvir. Não é verdade, pois não?? Devia ter falado contigo, mas, se calhar, já era tarde, então. Já tantas coisas tinham passado pela minha vida, entretanto! A meada era já demasiado grande e longa para poder retomar o fio, onde quer que fosse. Queria que me ouvisses e que falasses comigo. Mas não te queria ver, não queria que me visses. Assim. "

 

"..... nada dura para sempre - só as montanhas e os rios ......."

 

" - Estava a pensar que há viagens sem regresso. E que nunca mais vou voltar desta viagem. Nunca mais vou regressar do deserto. "

 

" Hoje já ninguém vai ao nosso deserto, Cláudia. Os fundamentalistas islâmicos, como os de Laghouat, tornaram-se sanguinários e incontroláveis e os próprios tuaregues revoltaram-se contra o poder de Argel.

Mas a razão principal nem é essa. A razão principal é que já não há muita gente que tenha tempo a perder com o deserto. Não sabem para que serve e, quando me perguntam o que há lá e eu respondo "nada", eles riscam mentalmente essa viagem dos seus projectos. Viajam antes em massa para onde toda a gente vai e todos se encontram. As coisas mudaram, Cláudia! Todos têm terror do silêncio e da solidão e vivem a bombardear-se de telefonemas, mensagens escritas, mails e contactos no Facebook e nas redes sociais da Net, onde se oferecem como amigos a quem nunca viram na vida. Em vez do silêncio, falam sem cessar; em vez de se encontrarem, contactam-se, para não perder tempo; em vez de se descobrirem, expõem-se logo por inteiro: fotografias deles dos filhos, das férias na neve e das festas de amigos em casa, a biografia das suas vidas, com amores antigos e actuais. E todos são bonitos, jovens, divertidos, "leves", disponiveis, sensiveis e interessantes. E por isso é que vivem esta  estranha vida: porque, muito embora julguem poder ter o mundo aos pés, não aguentam nem um dia de solidão. Eis porque já não há ninguém para atravessar o deserto. Ninguém capaz de enfrentar toda aquela solidão.

Eu próprio não creio que lá volte mais. A menos que tu descesses das estrelas e quisesses vir comigo outra vez. Que pudéssemos ambos apagar todo o mal, todos os danos e todos os enganos, todos os anos perdidos que ficaram para trás, desde essa manhã límpida nas águas de Gibraltar.

Mas eu sei que não há regresso: eu mesmo to disse. "

 

" - Porque a nossa viagem acabou aqui .

  - Acabou ?

  - Acabou, sim. Tu sabes bem que acabou.

  - Não, só acaba depois de amanhã, em Lisboa.

  - Hoje ou amanhã ou depois, qual a diferença ? Acabou! "

 

Trechos do livro "No teu deserto" de Miguel Sousa Tavares

 

 

 

Segunda feira .............. saldo negativo

Pois é, a minha semana começou com saldo negativo. O meu pobre Honda com quase 4 mesinhos está com uma valente mossa . Foi um bom prejuizo causado pela incuria, descuido, estupidez e grande irresponsabilidade de algum iluminado da C. Municipal da minha zona que meteu 3 pinos verdes escuros de ferro maciço no meio da estrada para não ocuparem uma zona, com estacionamento. Pinos esses sem reflectores nem marcação amarela no chão que proíbe paragem e estacionamento no sitio, e isso seria o correcto porque além de serem reflectores a própria marcação amarela era visivel á noite. O que não está feito, e eu agora é que estou feita. Que m**** de pelouro de trânsito ou do raio que os parta a todos. Nem vale a pena apresentar queixa contra a C. Municipal porque é "bater em mortos" . A reclamação com fotos já foi enviada para a Junta de Freguesia, para a dita Câmara, para a Deco e para o programa da SIC "Nós por Cá". De resto "pago e não bufo". O que me deixa fula, mas fula da vida é que já lá bateu mais gente mas ninguém se acusa e o facto de ter  um prejuizo enorme no carro novo. Foi para esquecer mas que se calhar aqueles pinos vão á vida se calhar vão, eu até sou maluca por isso .................

 

P***** de vida a minha. Estou f ..... eita ao bife.